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Os dias no QG da Glória − Capacete Rio de Janeiro 2013

abril 16, 2013

A primeira intenção tinha um sentido místico, sem necessariamente apelar para o lado religioso, mas achamos por bem fazer uma moqueca baiana para iniciar a residência no Capacete. Rua do Russel, 300, nosso endereço por dois meses. Foi ótimo, pois significava bom presságio. A cozinha da casa havia nos aceitado e isso, para nós, é fundamental, já que possuímos uma forma bem definida de criação em que a culinária ganha status de burocracia e a cozinha de escritório. Essa maneira de operação de ideias tem nos acompanhado desde que nos conhecemos por GIA.

Mandinga conceitual realizada, os louros começaram a aparecer. Em função do projeto de um grande amigo, iniciamos a residência com uma experiência de ordem culinária. É necessário dizer que, além da comida, a amizade é um elemento importante para o processo de criação do GIA. Organizou-se na casa o projeto cozinha internacional, no qual todas as quintas-feiras à noite recebemos grupos de artistas, arquitetos, desocupados necessários, dançarinos amadores e comilões de natureza para saborear quitutes de todo o canto do mundo, além de conversar de tudo.

Os jantares são importantes, pois ressaltam o conceito de residência que pensamos. Residir, morar, cuidar. Pode parecer estranho para um grupo que tem a rua como suporte de realização dos trabalhos de arte, mas esse ponto de vista não tem procedência. Sempre usamos o espaço casa como local de criação, sempre em volta do fogão, com muito samba e amigos e não poderia ser diferente no Rio, pooorra! As ações são para a rua, a lapidação de sua execução a cozinha.

Será desnecessário falar sobre as ações que estão sendo realizadas − este pequeno texto quer tratar do conceito de residência, de um lugar mais afetivo. Sendo assim, nosso processo de absorção tem sido muito orgânico em relação ao dia a dia de moradores e não de turistas. Tem sido fundamental o reconhecimento da vizinhança mais próxima, pessoas que já interferem no dia a dia da cidade, como o entregador de água que produz vídeos – Fala My Brother -, a feira de orgânicos da frente do prédio que chuta a canela de modelos menos inteligentes de postura alimentar. A identificação que os nordestinos têm conosco, e assim vai… Coisas da vida, que acontecem… Viva Batatinha. Falando em Batatinha, não precisou andar muito para dar samba. Na mesma praça da feira de orgânicos topamos com uma roda, Sambastião, por causa do padroeiro e da estátua instalada na mesma praça, bendita moqueca!

Já estamos acostumados a experiências de convívio criativo. Aliás, desde o nosso QG do Santo Antônio, em Salvador, a nossa residência na Bahia, a amizade é realmente primordial para a amálgama do grupo. Fator que torna essa residência redundante. Se alguém esperava algo diferente do que já somos, a continuidade de nossa vida cotidiana, sejamos otimistas, pois isso denota uma sintonia de nós com a casa, com o espaço. Uma excelente biblioteca, uma vista maravilhosa, ressaltando uma belíssima árvore, que rompe com a gravidade e nos olha no fundo dos olhos, se coloca na mesma altura de nossos seis andares. A cozinha dispensa apresentações. O resto não importa, mas sem dúvida merece elogios. Impossível dizer quantas pessoas já passaram por aqui − o mesmo pode-se dizer do QG da Bahia. Sendo assim a mais crua realidade é melhor dizer: estamos em casa.

Coletivo GIA

 

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