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Valparaíso, 5/8/2012

agosto 6, 2012

por Luiza Baldan

 

 

 

E me perguntam se é ruína ou escombro e penso na perda outra vez.

Independente de ser memória, patrimônio ou degradação, existe algo de perdido nesses lugares, de uma história que não se localiza, de um sentimento cruzado sobre algo que não está mais ali. Uma presença distante entre pichações, lixo, tijolos e mato.

A aturdida surpresa ao se deparar com a casa depois de ser invadida, violada, violentada, abusada, abandonada. No que ficou, vê-se fotografias reviradas, toalhas pisadas, vidros partidos, poças, papéis sujos, caixas preparadas, restos de fogueira e pássaro morto. Levaram uma televisão quebrada e a pia da cozinha, deixando uma tristeza surda após o quinto assalto consecutivo onde já não havia nada valioso para roubar além das lembranças contidas em mais de sessenta anos de história entre paredes erguidas por familiares de uma matriarca visionária. Império que vai ruindo junto ao tempo e a maresia do vilarejo. Como guardar a imagem dos momentos felizes depois de tamanha agressão?

Quem vê de fora se pergunta se é ruína ou escombro.

Quem não conhece a história não sente afeto, não tem apego, nem coleciona, nem acumula. Rouba e revende para manter a subsistência; incendeia e destrói para abrir terreno onde construir o novo.

Mas a história reside naqueles que ficaram para contá-la.

 

 

 

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