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Valparaíso, 2/8/2012

agosto 2, 2012

por Luiza Baldan

O mês virou, o tempo mudou, a lua encheu, o mar revoltou. Diante do piano, os dedos enrijecidos e os ouvidos travados, enquanto os olhos seguem as águas do Pacífico se arremessarem com força contra a praia. O vento gelado faz do trem um frigorífico. A essa altura, Carlos é inaudível. “Summertime” naquele lugar já não faz o menor sentido.

E de repente surge uma vozecita lá dentro mandando um recado. As mudanças não chegam em vão e é preciso considerá-las. Mas a frustração existe porque constrói-se uma imagem, uma expectativa, que se queda a medias. Um homem que personifica um pai e decepciona, que por qualquer razão não entende a tal expectativa. Não se trata de superar, mas de simplesmente tentar alcançá-la.

E na teimosia por se fazer entender, mudam-se também os trajetos. Parte do processo é encontrar o melhor caminho a seguir sem perder a calma nem a delicadeza. A teimosia não é por chegar, é por seguir. É saber reconhecer o pai e deixá-lo partir.

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