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Valparaíso, 16/07/2012

julho 17, 2012

por Luiza Baldan

Se me contassem antes, não iria acreditar. Pisei no dia 16 de julho de 2012 em um lugar muito próximo ao que morei em 16 de julho de 1996, aos 16 anos. 16 anos depois acho que poderia até apostar no número 16.

A imagem que eu tinha de Valparaíso não mudou muito de 2010 para cá. Tudo bem, eu era uma turista que passou apenas um dia na cidade, mas fiquei bastante impressionada com a diferença entre a europeia Santiago e a brasileira Valpo. Estou hospedada em uma pensão bem em frente à Iglesia Matriz, ao lado do que parece ser o consulado da Áustria, longe dos cerros que se assemelham ao bairro carioca de Santa Teresa e mais próxima do que seria a Saúde, talvez, pela zona portuária. Saúde que quase me falta depois de um corte amador no dedo indicador da mão direita, que me provocou um baita susto con tanta sangre, ¡Dios mío!, e também a desculpa maravilhosa que me aproximou de Doña Lela, a minha nova mãe chilena.

La señora Lela morou 30 anos em Nova Iorque e regressou ao Chile há menos de 2. Ela toma conta da pensão junto a alguns familiares. Agora ela também toma conta de mim, uma brasileira desavisada que não lida bem com navalhas suíças, mesmo fazendo uso da faquinha há pelo menos 10 anos.

Meu departamento tem uma salinha, uma cozinhazinha, um banheirinho e um mezanino, que é o meu quarto, com uma boa cama e uma vista privilegiada da praça da igreja. Passam poucos mas de tudo há por ali, mesmo em um dia tranquilo de feriado. Penso no vídeo do Cao Guimarães, no qual duas crianças lutam e brincam sob a chuva. Penso em Pernambuco. Enquanto eu não tiver mais experiências próprias neste lugar, acho que sempre pensarei em alguma outra parte conhecida. Falta-me repertório.

Trouxe dois livros do maravilhoso exilado chileno Bolaño, errante como eu. E com a rede wi-fi da pensão DUC estou conectada a todos os lugares. A saudade na era 3G.

Os navios dão sinal de chegada. As paredes finais deixam vazar todos os sons, de conversas a gemidos. A cortina fininha deixa a praça entrar no apartamento a toda hora. A arara das roupas projeta um homem na parede a la Duane Michaels. Pequenos vasos de plantas que parecem tentáculos no teto.

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One Comment leave one →
  1. julho 17, 2012 10:16 pm

    que haces ahí, guapa? besos desde buenos aires Camila

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