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setembro 20, 2010

<<Nos primeiros dias, realmente, sofri. Pensei em denunciar a situação. Procurei amigos. Alguns não acreditaram em mim. Outros acreditaram, apesar desta máscara que trago agora, porque, enfim, sei certas coisas, mas fingiram não acreditar. Insistir pareceu-me perigoso. Depois, numa tarde como esta, sozinho na esplanada de um bar, na ponta da Ilha, comecei a desfrutar de uma sensação maravilhosa. Não sabia que nome lhe dar. Agora sei- liberdade! Esta situação transformou-me num homem livre. Tenho meios. Tenho acesso a contas, lá fora, que me permitem viver tranquilo até o último dos meus dias. Em contrapartida não me pesam as responsabilidades, as críticas, os remorsos, as invejas, os ódios, os rancores, as intrigas da corte, menos ainda o terror de que um dia alguém me traia.>>

José Eduardo Agualusa in ‘O Vendedor de Passados’, p.198 (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004)

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One Comment leave one →
  1. sam permalink
    outubro 7, 2010 3:22 am

    …estás transformado
    num homem livre. eu vi.

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