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Entre oceanos, terra esquecida

junho 25, 2010

16/06/2010

Hoje pela manhã continuei gravando as imagens e preparando-me para voltar a gráfica, um pouco reticente, apesar da disponibilidade de Rolf, em mexer com aquela história toda, aquela capa de pó e poeira de terremoto que cobre tudo. Antes de mais nada, vou atrás de uma máscara.


Chegando, arrumei outra área com muito potencial, justamente onde está o tira provas e a mesa de entintagem. Encontrei mais tipos e três caixas com diversos clichês, letras, logos, muitos deles específicos e comerciais e tratei de separar todos os mais interessantes em gêneros: animais, carros, brasões, figuras, navios, mergulhadores, logos da gráfica, bandeiras, arquitetura, flores e plantas. Todo um universo transposto para o baixo relevo, ora em borracha, madeira ou ferro.
A luz escapa rapidamente desta área da gráfica e o trabalho torna-se impossível de continuar.

17/07/2010

Entrei mudo, saí calado. Foi a crônica do dia e a tarde na gráfica. Consegui ajeitar o espaço de trabalho e botar o tira provas para funcionar. Não quis mexer nos tipos, limpá-los seria o máximo e colocá-los em ordem já seria o suficiente para adentrar um pouco na história do lugar e da família. Isso tem sido o mais penoso, sentir o peso deste universo particular, a trajetória do lugar e os materiais impregnados de intenção, uso, destino e afogados pela poeira inerte. Não pude evitar e comprei as benditas máscaras. Às vezes, inalar a história pode ser tóxico.

Consegui gravar uma imagem, sentado na antiga mesa acompanhada de cadeira com estofado mais do que arrebentado. Hoje o vitral estava mais nítido, apesar de todo o dia chuvoso e úmido. O Pacífico está presente o tempo todo, carregando vento e água, colocando as gaivotas na praça Sotomayor,  injetando maresia em toda construção humana.
O frio, o vento, a chuva não contribuem para um estado de ânimo elevado. Estou com muita saudade de casa.


18/06/2010

Foi como viver num navio. para lá e para cá, fazendo coisas, projetando a chegada, tentando lembrar da partida, das motivações, dos anseios e em voltar. inteiro.Como disseram meus amigos de caminhada: não basta chegar no cume, temos que chegar bem e ainda voltar bem. Muito trabalho. Fisico e espiritual.
Dos 16 desenhos, já gravei 9. Se fosse como meu amigo Ulysses, teria desenhado 50 e gravado 55 ahahah!


19/06/2010

Dia recolhido, gravando toda manhã e saindo para almoçar com Tiago no Mercado para provarmos a comida da Beatriz, adminstradora do Duc e proprietária de um restaurante chamado El Mesón.

20/06/2010

Consegui finalizar 16 matrizes, ainda faltam 4 para capa e talvez o dobro para um álbum que será concluído no Brasil. A coisa toda envolve ritmo de trabalho e intimidade com as ferramentas que farão a tradução do desenho, tornando-se algo novo, além do registro inicial.

Fomos até a feira na av. Argentina, que acontece todo domingo e com grande fluxo de pessoas. Começamos bem na praça O’Higgins onde haviam barracas de antiguidades que deixam a Benedito Calixto no chinelo de tão antigos os objetos que são trazidos por várias pessoas, jovens, velhos que vasculham porões, telhados, baús e até acabam especializando-se: caixas antigas, caixinhas de fosfóros, equipamento náutico, livros, brinquedos, pratarias, armas e munições, tudo que um porto pode receber de marinheiros e pessoas do mundo inteiro durante anos e que estavam largados nas casas das pessoas.
A feira na av. Argentina foi uma experiência angustiante pela quantidade de pessoas em fila sem possibilidade de escapar para nenhum dos lados. Como se estivessemos na 25 de março pré carnaval ou natal, ou qualquer outra data comercial, sem chance para respirar nem ver o que estava no chão, pendurado nas barracas. Tudo ficou muito melhor quando mudamos a rota e fomos até o ‘ascensor Polanco”, um elevador para o cerro Polanco que é uma escavação de quase 100 anos entre as pedras até a cabine do elevador. Ao chegarmos para pagar e passar a catraca, o rádio estava ligado e o comentarista falava da Elis, depois tocou dois pra lá dois prá cá. Foi bonito ver aquele túnel de pedra úmido ambientando pela voz da Elis.
Pela manhã, consegui falar com a Flora e a Thais e foi muito gostoso.


21/06/2010

Os jogos do Chile valem mais do que 10 da selecinha! Sair na rua depois da vitória sobre a Suiça foi como vivenciar uma brisa da capacidade de mobilização do chileno, da vontade de relacionar-se uns com os outros. Todos cantam, todos puxam o coro CHICHI LELE CHICHICHI LELELE VIVA O CHILE.

A sombra da ditadura é navalha na carne de uma população ainda jovem. A auto estima da população está em jogo..

Demoro um pouco para chegar na gráfica, para ter uma das tardes mais proveitosas, já que levei todas as matrizes e fiquei imprimindo no lindo tira provas alemão.

Consegui fazer 3 cópias de cada e ainda imprimir alguns clichês antigos da gráfica. Muito bom! Fui o último a sair, e confesso que fiquei com um pouco de receio de ser trancado e ter de dormir por ali mesmo. Já não havia mais luz e limpei o que pude, levando de sopetão algumas impressões para o residencial e saindo com todos os casacos na mão.

lobos marinhos descansando

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