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Residente Cochayuyo

junho 20, 2010

12/06/2010

Sábado interno, convivendo com a ausência da rotina, degluindo novas referências de toda ordem.Argentina, Nigéria, Inglaterra, Estados Unidos…

Comida caseira e desenho na madeira

13/06/201

Domingo externo.  Apesar da previsão de chuva, insisiti na idéia da caminhada, já que era minha chance de trocar o ar e fazer um pouco de exercício. Não imaginava que fosse uma prova de superação.
Quase no mêtro, recebemos a ligação de Javier, um amigo do Cameron que se juntaria à nós, já que o guatemalteco resolveu ficar. Teríamos um encontro intercontinental em Limache: um chileno, um americano e um brasileiro. Os dois primeiros viciados em escalada, o que poderia me colocar em situação delicada.

Fazia 1 e meio, exatamente desde que a Flora nasceu que não me movimentava com alto impacto. Era justamente o que me esperava.
Chegamos em Limache, a última estação do mêtro. Uma cidade pequena, com comércio local, casas de temporada e hotéis para os gringos que fazem caminhadas.
Logo bem pertinho do mêtro, tem uma padaria que nos serviu a melhor empanada de espinafre com cogumelos da viagem! Pegamos um micro e subimos até o local mais próximo da entrada do parque.
Começamos a caminhada com espírito empreendedor e ritmo forte. Fizemos algumas alterações no caminho, optando por trechos fora de trilha, já que Javier estava nos guiando. Rapaz jovem, mas com o rosto marcado pelo sol andino. “O ego é a expressão mais básica que temos para oferecer”..é verdade meu amigo..

Fizemos uma parada e entramos em uma mina de quartzo. Não fiquei à vontade no começo, também não é sempre que entramos em minas de quartzo, mas continuei confiando no elo criado entre os três integrantes da expedição. Havia um fim de linha e tivemos que entrar em um buraco menor para alcançar o salão com água e o quartzo na parede.
Ficamos em silêncio, algo que só podemos experienciar dentro da terra. Um silêncio mais sólido que a própria rocha, verdadeiramente imponente.
Continuamos nossa subida, e aos poucos fui me dando conta da encrenca: subir 2500 metros e caminhar 13 kilometros, ida e volta. Estava fudido!

El cumbre estava longe e parecia chegar nunca. Pensei em desistir umas 10 vezes,mas a presença e o apoio dos dois colegas me puxaram para cima.
Valeu a pena!

Do cume  da La Campana podemos ver o Aconcágua junto ao horizonte, e ao redor uma paisagem para condores. Fizemos um almoço rápido para recuperar as energias, tentando nos proteger do frio e vento fatais, muito mais para aqueles despreparados, suados, sem roupa de troca. Havia ainda a descida.
Estávamos 1 hora atrasados e chegaríamos sem luz no final da trilha. Corremos e corremos durante todos os trechos do  ‘sendero’- trilhas que podíamos.

Vimos raposas, pássaros, árvores nativas chilenas, folhas fosforescentes no chão. Javier não nos deixou usar as lanternas e fizemos todo o percurso no ‘olho’. Foi um trabalho, uma missão de domingo,  uma caminhada para refletir a vida e reforçar a crença no outro, no companheirismo que são vitais para qualquer empreitada.
Exausto, voltamos para estação de mêtro tendo antes parado para mais empanadas de espinafre com cogumelos.

alguns muito à vontade, outros preocupados com o vento

Limache / La campana / Mina de Quartzo. 2500mts 13 km
Javier e Cameron
Arturo DuClos

14/06/2010
Reunião – Almoço – Trabalho.

cochayuyo – alga comestível

15/06/2010

Continuei a gravação dos desenhos para o livro, tentando medir o tempo, o volume de trabalho em relação ao conjunto do que tenho para fazer. Entre um pêndulo e outro de satisfação e descontentamento com  o trabalho.
Encontramos com Isabel ao meio dia na Bolsa e fizemos um belo passeio pelo costado de Playa Ancha, sentindo toda a fúria do Pacífico moldando rochas, querendo tomar o continente e juntar-se ao outro lado, virando tudo uma coisa só.

No meio do caminho, Isabel nos apresentou Julio que trabalha com artes gráficas, serigrafia e tem um ateliê. Trocamos telefones e pretendo visitá-lo na quinta. Nos despedimos em uma ‘escalera’ onde caminharíamos até, para nossa surpresa, saírmos na praça Sotomayor. Os caminhos entro os morros de Valparaíso são um capitulo à parte.

Depois, almoçamos eu e Tiago no Porto Viejo assistindo o jogo do Brasil.
Almoço muito bom, o jogo uma merda!

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3 Comentários leave one →
  1. junho 20, 2010 9:08 pm

    Maravilha… ROCHA E NUVENS… MADEIRA E PAPEL, JUNTOS, na impressão feita pelo ARQUIVO DOS PÉS.

    abraços e bom trabalho,
    U.
    * vou passar o link p/ o professor M.Buti por que… ele já esteve em Valparaíso e quis saber, de sua empreitada, ontem, na OÇO…

  2. junho 21, 2010 12:00 am

    Li mais uma vez seu texto e só agora percebi o esforço de uma subida como essa… as fotos estao muito boas… o cume, o berço das nuvens… as pedras, o suor,o frio de lascar, puta que pariu!

    Uma experiência e tanto.
    Abrs.
    U.

  3. valeria permalink
    junho 21, 2010 4:37 pm

    ei fabricio, que delicia ler teus posts no blog! aqui estou eu nessa secura de são paulo, com uma linda recém nascida e uma pontinha de inveja de vc…beijos e aproveite. o blog está indo muito bem fico feliz. beijos, val

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